{"id":1116,"date":"2026-07-14T11:49:18","date_gmt":"2026-07-14T14:49:18","guid":{"rendered":"https:\/\/claudiostarec.com.br\/?p=1116"},"modified":"2026-08-10T11:53:01","modified_gmt":"2026-08-10T14:53:01","slug":"o-luto-e-a-luta-da-lideranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claudiostarec.com.br\/index.php\/2026\/07\/14\/o-luto-e-a-luta-da-lideranca\/","title":{"rendered":"O Luto e a Luta da Lideran\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Dor que nem sempre o l\u00edder pode mostrar<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Claudio Starec<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ningu\u00e9m manda flores para o l\u00edder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma empresa anuncia uma reestrutura\u00e7\u00e3o, toda a aten\u00e7\u00e3o, corretamente, se volta para quem perdeu o emprego. Mas existe uma segunda dor naquela sala, sentada do outro lado da mesa, e ela raramente recebe um olhar: a dor de quem precisou comunicar a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta semana li um artigo do meu amigo Victor Lamas que n\u00e3o saiu da minha cabe\u00e7a. Ele escreveu sobre o luto profissional &#8220;uma das dores mais silenciosas da vida adulta&#8221; e resgatou uma frase de Juliana Rodrigues que resume tudo: quando perdemos um emprego, n\u00e3o perdemos apenas um crach\u00e1. Perdemos rotina, colegas, projetos, pertencimento. E, sem perceber, come\u00e7amos a acreditar que perdemos tamb\u00e9m o nosso valor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Victor est\u00e1 certo. E quero puxar esse fio para um territ\u00f3rio do qual quase ningu\u00e9m fala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o luto profissional \u00e9 silencioso, o luto da lideran\u00e7a \u00e9 mudo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A dor que n\u00e3o tem permiss\u00e3o para existir<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mais de trinta e cinco anos formando l\u00edderes no Brasil e em Portugal, aprendi que existe uma regra n\u00e3o escrita no mundo corporativo: l\u00edder n\u00e3o pode sofrer. Pode ficar cansado, pode ficar &#8220;desafiado&#8221;, pode at\u00e9 ficar &#8220;preocupado com o cen\u00e1rio&#8221;. Mas sofrer? Sofrer \u00e9 para os outros, talvez seja para poucos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado \u00e9 que o l\u00edder vive dois lutos que ningu\u00e9m reconhece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro \u00e9 o luto que ele administra. \u00c9 o l\u00edder quem senta na frente da pessoa e comunica o desligamento. Quem escolhe nomes em uma planilha sabendo que cada linha \u00e9 uma fam\u00edlia. Quem carrega para casa, em sil\u00eancio, a express\u00e3o no rosto de algu\u00e9m que acabou de ouvir a not\u00edcia. Chamo isso de luto emprestado: a dor n\u00e3o \u00e9 dele, mas \u00e9 ele quem a transporta. Confesso que essa dor por vezes \u00e9 dilacerante, mas n\u00e3o temos como fugir dela, muitas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo \u00e9 o luto que ele sente. Porque l\u00edderes tamb\u00e9m perdem o cargo. E quando perdem, a queda costuma ser mais desorientadora, n\u00e3o porque a dor deles valha mais, mas porque a fus\u00e3o entre identidade e fun\u00e7\u00e3o costuma ser mais profunda. O executivo que durante vinte anos foi &#8220;o diretor&#8221; descobre, num domingo \u00e0 noite como aquele que o Victor descreveu t\u00e3o bem, que n\u00e3o sabe mais quem \u00e9 quando a agenda est\u00e1 vazia. Quanto mais alto o crach\u00e1, maior o peda\u00e7o de identidade que vai embora com ele.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os n\u00fameros confirmam o que os corredores escondem<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o \u00e9 impress\u00e3o de mentor. \u00c9 estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio State of the Global Workplace 2026, do Gallup, a maior pesquisa cont\u00ednua sobre a experi\u00eancia do trabalho no mundo, revelou que o engajamento dos gestores caiu de 27% para 22% entre 2024 e 2025. \u00c9 a maior queda anual j\u00e1 registrada pela pesquisa. Desde 2022, s\u00e3o nove pontos percentuais perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, os gestores tinham o que o Gallup chamava de &#8220;pr\u00eamio de engajamento&#8221;: eram significativamente mais engajados do que suas equipes. Esse pr\u00eamio praticamente desapareceu. Hoje, quem lidera est\u00e1 quase t\u00e3o desconectado quanto quem \u00e9 liderado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 um dado ainda mais revelador: os l\u00edderes seniores reportam os n\u00edveis mais altos de estresse, tristeza, raiva e solid\u00e3o di\u00e1rios. O peso da lideran\u00e7a, que sempre foi invis\u00edvel, come\u00e7ou a aparecer nos dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que isso importa para todos n\u00f3s? Porque o pr\u00f3prio Gallup demonstra, h\u00e1 anos, que os gestores respondem por 70% da varia\u00e7\u00e3o do engajamento das equipes. Quando o l\u00edder adoece em sil\u00eancio, a equipe inteira adoece com ele \u2014 s\u00f3 que devagar, sem diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"501\" src=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1784122754780-1024x501.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-1118\" srcset=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1784122754780-1024x501.webp 1024w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1784122754780-300x147.webp 300w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1784122754780-768x376.webp 768w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1784122754780.webp 1159w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Luto de quem fica<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O terceiro luto: o de quem fica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe ainda uma terceira forma de luto na lideran\u00e7a. E talvez seja a mais perigosa de todas, porque n\u00e3o aparece em nenhum desligamento, n\u00e3o gera homologa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o entra em nenhuma estat\u00edstica de turnover.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o luto do l\u00edder que j\u00e1 foi embora \u2014 mas continua sentado na cadeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Costumo dizer, nas minhas aulas e mentorias, que a pior coisa que pode acontecer com um executivo, com um l\u00edder, \u00e9 demitir a empresa e continuar trabalhando nela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pense no que esses n\u00fameros do Gallup significam na pr\u00e1tica. Se apenas 22% dos gestores do mundo est\u00e3o engajados, quantos dos outros 78% j\u00e1 entregaram, em sil\u00eancio, uma carta de demiss\u00e3o que ningu\u00e9m leu? O corpo comparece \u00e0s reuni\u00f5es. O crach\u00e1 abre a catraca todos os dias. Mas a alma pediu as contas h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse l\u00edder n\u00e3o elaborou luto nenhum ele o congelou. N\u00e3o teve a coragem de sair nem a energia de ficar de verdade. E o custo dessa meia-presen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 pago por ele sozinho: \u00e9 pago pela equipe que percebe, pelos talentos que v\u00e3o embora, pela cultura que apodrece devagar. Porque n\u00e3o existe nada mais desengajador do que ser liderado por algu\u00e9m que j\u00e1 desistiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o luto de quem sai \u00e9 vis\u00edvel e o luto de quem demite \u00e9 silencioso, o luto de quem demitiu a empresa por dentro \u00e9 invis\u00edvel at\u00e9 para quem o carrega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E aqui cabe uma confiss\u00e3o. Dos tr\u00eas lutos, que l\u00edder j\u00e1 n\u00e3o viveu pelo menos um? Eu vivi os dois primeiros na pele; comuniquei desligamentos que me tiraram o sono, e tamb\u00e9m j\u00e1 conheci o vazio de encerrar ciclos que pareciam definir quem eu era. S\u00f3 n\u00e3o experimentei o \u00faltimo: nunca demiti uma empresa e continuei trabalhando nela. Sempre me recusei a aceitar essa situa\u00e7\u00e3o. Todas as vezes em que percebi que a alma come\u00e7ava a pedir as contas, o corpo assinou junto. Sa\u00ed de posi\u00e7\u00f5es confort\u00e1veis, recomecei mais de uma vez, e cada recome\u00e7o doeu, mas nenhuma dor se compara \u00e0 de ocupar uma cadeira que a gente j\u00e1 abandonou por dentro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/entre-luto-e-luta-da-lideranca-claudio-starec-1024x683.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-1117\" srcset=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/entre-luto-e-luta-da-lideranca-claudio-starec-1024x683.webp 1024w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/entre-luto-e-luta-da-lideranca-claudio-starec-300x200.webp 300w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/entre-luto-e-luta-da-lideranca-claudio-starec-768x512.webp 768w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/entre-luto-e-luta-da-lideranca-claudio-starec.webp 1488w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entre o Luto e a Luta<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do luto \u00e0 luta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Decidi escrever este artigo n\u00e3o para ser um um muro das lamenta\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma na realidade uma convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque entre o luto e a luta existe apenas uma vogal e uma decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira luta \u00e9 a de sentir. Permitir-se o luto n\u00e3o \u00e9 fraqueza gerencial; \u00e9 higiene emocional. O l\u00edder que nunca elabora as perdas que administra vai acumulando um passivo invis\u00edvel que, mais cedo ou mais tarde, cobra juros: no cinismo, na frieza, no esgotamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda luta \u00e9 a de conduzir com dignidade. Se demitir faz parte do trabalho, demitir bem \u00e9 parte do car\u00e1ter. A forma como uma organiza\u00e7\u00e3o trata quem sai \u00e9 a mensagem mais eloquente que ela envia para quem fica. Processos de desligamento humanizados, comunica\u00e7\u00e3o transparente e portas que permanecem abertas n\u00e3o s\u00e3o gentileza: s\u00e3o cultura em estado puro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira luta \u00e9 a de recome\u00e7ar. Para o l\u00edder em transi\u00e7\u00e3o, vale em dobro, a li\u00e7\u00e3o do Victor: o desemprego \u00e9 uma circunst\u00e2ncia, n\u00e3o uma identidade. O cargo muda. O crach\u00e1 muda. Mas a capacidade de formar pessoas, ler cen\u00e1rios e tomar decis\u00f5es dif\u00edceis com dec\u00eancia n\u00e3o cabe em um organograma. Ela vai com voc\u00ea para onde voc\u00ea for.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quarta luta e talvez a mais honesta de todas \u00e9 a de decidir. Quem percebeu que j\u00e1 demitiu a empresa por dentro tem apenas dois caminhos dignos a seguir: readmitir-se de corpo e alma, renegociando com a organiza\u00e7\u00e3o e consigo mesmo as raz\u00f5es de estar ali, ou ter a coragem de formalizar por fora a demiss\u00e3o que j\u00e1 aconteceu por dentro. O que n\u00e3o existe \u00e9 terceira via. Meia-presen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 lealdade; \u00e9 luto congelado ocupando uma vaga. P\u00e9ssimo para a empresa, pior ainda para o l\u00edder que fica assim.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">M\u00e1xima Starec<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pior coisa que pode acontecer com um executivo, com um l\u00edder, \u00e9 demitir a empresa e continuar trabalhando nela.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea lidera pessoas, deixo duas perguntas: quem cuida de voc\u00ea enquanto voc\u00ea cuida de todos? E, com a honestidade que s\u00f3 as perguntas dif\u00edceis exigem: voc\u00ea ainda trabalha na sua empresa \u2014 ou apenas continua indo at\u00e9 ela?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se voc\u00ea conhece um l\u00edder em transi\u00e7\u00e3o, fa\u00e7a por ele o que o Victor recomendou para qualquer profissional: ligue, escute sem julgar, convide para um caf\u00e9. L\u00edderes tamb\u00e9m precisam ouvir que o fim de um ciclo n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conte nos coment\u00e1rios: voc\u00ea j\u00e1 viveu \u2014 ou testemunhou \u2014 o luto silencioso da lideran\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Este artigo foi inspirado em &#8220;O luto profissional existe. E talvez seja uma das dores mais silenciosas da vida adulta&#8221;, de Victor Lamas, publicado no LinkedIn em 12 de julho de 2026, que por sua vez cita reflex\u00e3o de Juliana Rodrigues. Dados: Gallup, State of the Global Workplace 2026.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">#Lideran\u00e7a #LutoProfissional #Gest\u00e3oDePessoas #Sa\u00fadeMental #Transi\u00e7\u00e3oDeCarreira #DesenvolvimentoDeL\u00edderes #CulturaOrganizacional #RH #ClaudioStarec<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Dor que nem sempre o l\u00edder pode mostrar Por Claudio Starec Ningu\u00e9m manda flores para o l\u00edder. Quando uma empresa anuncia uma reestrutura\u00e7\u00e3o, toda a aten\u00e7\u00e3o, corretamente, se volta para quem perdeu o emprego. 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