{"id":1054,"date":"2026-07-22T09:54:06","date_gmt":"2026-07-22T12:54:06","guid":{"rendered":"https:\/\/claudiostarec.com.br\/?p=1054"},"modified":"2026-08-10T11:29:20","modified_gmt":"2026-08-10T14:29:20","slug":"nao-tire-a-pedra-do-sapato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/claudiostarec.com.br\/index.php\/2026\/07\/22\/nao-tire-a-pedra-do-sapato\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o tire a pedra do sapato!&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Nem o conforto que anestesia. Nem a press\u00e3o que fere. O atrito que desperta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O audit\u00f3rio do QG da Pol\u00edcia Militar, na Rua Evaristo da Veiga, no cora\u00e7\u00e3o do Rio, estava lotado. Coron\u00e9is e seus segundos, de todos os batalh\u00f5es. O BOPE logo ali na frente. Gente cujo of\u00edcio, todo santo dia, \u00e9 a nossa seguran\u00e7a e todos \u00e1vidos, atentos, olhos grudados em mim, \u00e0 espera de ouvir algo novo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu estava l\u00e1 para falar de informa\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o: de como, sem boas informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 imposs\u00edvel tomar boas decis\u00f5es. E foi com uma dessas informa\u00e7\u00f5es que provoquei a sala: <em>&#8220;O maior problema do Rio talvez n\u00e3o seja a seguran\u00e7a. \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a com que todos n\u00f3s j\u00e1 aprendemos a conviver.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o veio aplauso nem bronca. Veio o sil\u00eancio. N\u00e3o o sil\u00eancio de quem discorda, o de quem reconhece. Os mesmos olhos atentos, agora parados. Era como se esperassem de mim uma receita, uma f\u00f3rmula que ainda n\u00e3o conhecessem. Mas n\u00e3o havia novidade alguma. A informa\u00e7\u00e3o mais importante daquela sala estava no meio dela, e todos ali sabiam l\u00ea-la melhor do que eu. Ler, eles liam. Faltava decidir sobre ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/a-grande-pedra-sensacao-de-inseguranca-claudio-starec-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1056\" srcset=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/a-grande-pedra-sensacao-de-inseguranca-claudio-starec-1024x683.png 1024w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/a-grande-pedra-sensacao-de-inseguranca-claudio-starec-300x200.png 300w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/a-grande-pedra-sensacao-de-inseguranca-claudio-starec-768x512.png 768w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/a-grande-pedra-sensacao-de-inseguranca-claudio-starec.png 1488w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Grande Pedra: Sensa\u00e7\u00e3o de Inseguran\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E<strong> <\/strong>isso foi em 2009, quando a CPI das Mil\u00edcias mal havia terminado e ainda dava tempo de impedir que aquilo chegasse \u00e0 escala de hoje. O sinal n\u00e3o era discreto. Era ensurdecedor. E, ainda assim, sil\u00eancio. \u00c9 justo dizer: a conta nunca foi s\u00f3 da pol\u00edcia. Eles est\u00e3o na ponta, junto com a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que eu n\u00e3o contei \u00e0quele audit\u00f3rio \u00e9 que a frase valia para mim tamb\u00e9m. Naquele per\u00edodo \u2014 o melhor da minha carreira, agenda lotada, palestras, consultorias, treinamentos \u2014, havia uma pedra no meu sapato que nenhum contrato pagava e nenhuma agenda cheia calava. Era exatamente aquela: a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. Eu vivia a pregar que era preciso ler a informa\u00e7\u00e3o e decidir. Faltava aplicar em mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A frase que me pareceu um disparate<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram precisos anos, e um oceano de dist\u00e2ncia, para eu entender aquele sil\u00eancio. S\u00f3 depois, caminhando pelos corredores de uma Web Summit, em Lisboa, no meio do burburinho de milhares de pessoas falando sobre o futuro, percebi o que havia faltado naquele audit\u00f3rio. E veio de onde eu menos esperava: da boca de um jovem executivo de startup, numa conversa sobre crescimento, uma frase que, no primeiro instante, me soou como um disparate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;<strong><em>N\u00e3o tire a pedra do sapato<\/em><\/strong><strong>.<\/strong>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A maioria de n\u00f3s passa a vida tentando eliminar todo desconforto, atr\u00e1s de estabilidade absoluta, previsibilidade absoluta, seguran\u00e7a absoluta. <\/strong><em>Mas quase tudo o que evolui nasce do contr\u00e1rio: de uma pergunta que incomoda, de uma d\u00favida que insiste, de uma pedra que se recusa a sair do sapato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele momento, por\u00e9m, nada disso me ocorreu. Minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi de puro estranhamento. Como assim? Que loucura \u00e9 essa? A pedra no sapato \u00e9 justamente o que a gente quer tirar o inc\u00f4modo, o atrito, a coisa que atrapalha o passo. Passei anos ouvindo, e ensinando, que liderar \u00e9 remover obst\u00e1culos, aparar arestas, alisar o caminho da equipe. E ali estava aquele jovem dizendo o contr\u00e1rio, com a naturalidade de quem enuncia uma obviedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bastaram alguns segundos para o clique.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele n\u00e3o falava de sofrer por sofrer. Falava de radar. A pedra no sapato \u00e9 o inc\u00f4modo que mant\u00e9m desperto \u2014 o atrito que lembra, a cada passo, que ainda h\u00e1 caminho, que o mercado n\u00e3o parou, que o concorrente n\u00e3o dormiu. Tirar a pedra \u00e9 sentar na poltrona do sucesso e fechar os olhos. Mant\u00ea-la \u00e9 continuar fazendo as perguntas certas justamente quando tudo parece bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mercados que se reinventam a cada trimestre, \u00e9 essa a diferen\u00e7a entre o l\u00edder que lidera e o que apenas administra a pr\u00f3pria in\u00e9rcia. Foi o que vimos, no artigo anterior, naquela fila de montadoras destronadas \u2014 da Ford \u00e0 BYD: cada uma reinou at\u00e9 o dia em que se achou confort\u00e1vel demais para continuar se incomodando. Ningu\u00e9m as derrubou de fora. Elas tiraram a pr\u00f3pria pedra do sapato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 que \u2014 e foi isto que me pegou de verdade \u2014 a frase n\u00e3o vale apenas para empresas. Vale para a vida. N\u00e3o tirar a pedra do sapato \u00e9 recusar o conforto que anestesia, aquela zona morna onde os sonhos, devagarinho, sem alarde, v\u00e3o virando pesadelos \u2014 e quase nunca percebemos a troca acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas essa ideia carrega uma armadilha \u2014 e \u00e9 melhor nome\u00e1-la antes que algu\u00e9m a use como desculpa para maltratar a equipe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A pedra que desperta e a pedra que fere<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Criar zonas de desconforto&#8221; virou, na boca de muita gente, licen\u00e7a para apertar, cobrar sem tr\u00e9gua, tirar o sono da equipe em nome da alta performance. N\u00e3o \u00e9 disso que estou falando. H\u00e1 uma diferen\u00e7a enorme entre a pedra que desperta e a pedra que fere.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pedra que desperta \u00e9 escolhida. Voc\u00ea a coloca no pr\u00f3prio sapato de prop\u00f3sito, com um porqu\u00ea claro, e ela o mant\u00e9m atento ao caminho. A pedra que fere \u00e9 enfiada no sapato dos outros \u2014 sem explica\u00e7\u00e3o, sem apoio, sem sentido. A primeira agu\u00e7a o passo. A segunda abre uma bolha, depois uma ferida, e mais cedo ou mais tarde encerra a caminhada. Uma pedra qualquer, carregada por tempo demais, n\u00e3o desperta ningu\u00e9m: machuca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso a arte n\u00e3o est\u00e1 em espalhar pedras, e sim em discernir. Saber qual inc\u00f4modo vale a pena carregar e qual s\u00f3 est\u00e1 ali para atrapalhar. O l\u00edder maduro n\u00e3o distribui sofrimento \u2014 ele come\u00e7a pela pr\u00f3pria pedra e ensina o time a escolher a dele. E faz isso sem perder a ternura jamais. Desconforto sem ternura \u00e9 crueldade. Ternura sem desconforto \u00e9 acomoda\u00e7\u00e3o. Liderar de verdade \u00e9 sustentar as duas coisas ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O paranoico e o espelho de 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ele viveu o seu ponto de inflex\u00e3o. Nos anos 1980, encurralada pelos fabricantes japoneses de mem\u00f3ria, a Intel precisava decidir. Grove fez a Gordon Moore a pergunta que ficou famosa \u2014 se os dois fossem demitidos e o conselho trouxesse um novo CEO, o que ele faria? Abandonaria o neg\u00f3cio de mem\u00f3ria, era \u00f3bvio. Ent\u00e3o eles mesmos o fizeram: largaram o produto que fundara a empresa e apostaram tudo nos microprocessadores. Com a casa pegando fogo, escolheram manter a pedra no sapato \u2014 e se reinventaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grove deixou um alerta que deveria nos assombrar: os l\u00edderes mais experientes costumam ser os \u00faltimos a enxergar a virada, justamente porque constru\u00edram a carreira no modelo antigo. S\u00e3o os mais tentados a tirar a pedra do sapato. E \u00e9 exatamente isso que os n\u00fameros de agora escancaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio <em>State of the Global Workplace 2026<\/em>, da Gallup, confirma o diagn\u00f3stico com dados dif\u00edceis de ignorar. O engajamento global caiu para 20% \u2014 o menor n\u00edvel desde 2020. Mas o dado que mais fala \u00e0 nossa conversa \u00e9 quem puxou a queda: os gestores. O engajamento dos l\u00edderes despencou de 31% para 22% em tr\u00eas anos, e a antiga vantagem que eles tinham sobre os liderados quase evaporou. Traduzindo: quem mais parou de se incomodar foi justamente quem deveria incomodar \u2014 a um custo que a Gallup estima em 10 trilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano em produtividade perdida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 uma luz, que prova o ponto. Nas organiza\u00e7\u00f5es de melhores pr\u00e1ticas, o engajamento dos gestores chega a 79%, quase o qu\u00e1druplo da m\u00e9dia mundial. N\u00e3o \u00e9 sorte. \u00c9 pedra no sapato bem colocada: l\u00edderes que se mant\u00eam incomodados, atentos, fazendo as perguntas certas \u2014 e que, por isso, mant\u00eam o time desperto sem feri-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A pedra que me trouxe para c\u00e1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Volto \u00e0quele audit\u00f3rio e a mim. Lembra da pedra que eu n\u00e3o confessei ter no sapato? Era a mesma que eu diagnosticava nos outros: a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. E, como todo mundo naquela sala, eu tamb\u00e9m sabia l\u00ea-la havia anos. Passei tempo demais na condi\u00e7\u00e3o que hoje mais me custa reconhecer: enxugando gelo. Trabalhando muito, ganhando bem, a agenda explodindo e, ainda assim, com a impress\u00e3o de correr para ficar no mesmo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ent\u00e3o que percebi: eu fazia exatamente aquilo que sempre critiquei nos outros. Passei tempo demais na condi\u00e7\u00e3o que hoje mais me custa reconhecer, enxugando gelo. Trabalhando muito, ganhando bem, a agenda explodindo, e ainda assim com a impress\u00e3o de correr para ficar no mesmo lugar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"689\" src=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/enxugando-gelo-e-voce-claudio-starec-1024x689.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1055\" srcset=\"https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/enxugando-gelo-e-voce-claudio-starec-1024x689.png 1024w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/enxugando-gelo-e-voce-claudio-starec-300x202.png 300w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/enxugando-gelo-e-voce-claudio-starec-768x516.png 768w, https:\/\/claudiostarec.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/enxugando-gelo-e-voce-claudio-starec.png 1487w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Enxugando gelo e voc\u00ea?<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O detalhe cruel \u00e9 que<strong> a virada n\u00e3o veio no fundo do po\u00e7o. Veio no topo.<\/strong> O ano em que decidi mudar para Portugal foi o melhor da minha carreira: aulas, palestras, consultorias, treinamentos, como nunca ganhei antes. Era o momento em que ningu\u00e9m troca de pa\u00eds \u2014 e foi exatamente por isso que troquei. Porque a pedra continuava l\u00e1, teimosa, indiferente aos meus melhores n\u00fameros. E eu tinha passado a vida dizendo aos outros que era preciso ler o sinal e decidir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o fiz o que aquele audit\u00f3rio n\u00e3o fez: decidi. Vim atr\u00e1s do que os contratos n\u00e3o pagavam, qualidade de vida e aquela sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a que eu apontara como o verdadeiro problema, n\u00e3o s\u00f3 do Rio, mas meu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E foi a mesma pedra de sempre, ali\u00e1s. A que me tirou do jornalismo para a educa\u00e7\u00e3o, da sala de aula para a coordena\u00e7\u00e3o, da dire\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o, do consultor para o mentor, do mentor para o autor. Em cada travessia ela esteve l\u00e1, incomodando. E o mais curioso \u00e9 que, em nenhuma delas, perdi algo ao mudar. Sempre agreguei. A pedra nunca me roubou o ch\u00e3o, ela s\u00f3 se recusou a me deixar parar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O radar que n\u00e3o se desliga &#8211;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se h\u00e1 uma heran\u00e7a nessa hist\u00f3ria, \u00e9 esta: a pedra no sapato \u00e9 o radar da lideran\u00e7a que n\u00e3o se desliga. E radar bom se alimenta de boas perguntas, justamente as que aquela sala, e eu por um tempo, evitamos fazer. Deixo as que carrego comigo, e ofere\u00e7o a voc\u00ea:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O que estou deixando de ver <em>justamente<\/em> porque est\u00e1 tudo dando certo?<\/li>\n\n\n\n<li>O que j\u00e1 fa\u00e7o no autom\u00e1tico e chamo de experi\u00eancia?<\/li>\n\n\n\n<li>Que verdade inc\u00f4moda todos \u00e0 minha volta j\u00e1 enxergam e eu venho decidindo n\u00e3o decidir?<\/li>\n\n\n\n<li>O que os n\u00fameros de hoje escondem sobre o amanh\u00e3?<\/li>\n\n\n\n<li>Quando foi a \u00faltima vez que troquei uma certeza por uma boa pergunta?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Manter essas perguntas vivas \u00e9 manter a pedra no lugar. \u00c9, no fundo, o que sustenta o Radar HELIAR 360\u00b0, o m\u00e9todo que ensino: liderar n\u00e3o \u00e9 remover todo atrito, \u00e9 escolher o atrito certo \u2014 <strong>o da Intelig\u00eancia que n\u00e3o dorme<\/strong> \u2014 e sustent\u00e1-lo com a Humaniza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fere.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o tenha medo da pedra que incomoda. Tenha medo do conforto que anestesia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu atravessei o Atl\u00e2ntico com a pedra no sapato. Voc\u00ea n\u00e3o precisa mudar de pa\u00eds, precisa s\u00f3 se recusar a tir\u00e1-la. <strong>Porque no dia em que o sapato ficar confort\u00e1vel demais, desconfie: talvez voc\u00ea tenha parado de caminhar e ainda n\u00e3o tenha percebido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E voc\u00ea: <strong>qual \u00e9 a pedra que escolheu manter no sapato para n\u00e3o cair no piloto autom\u00e1tico? <\/strong><em>Conte aqui nos coment\u00e1rios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fontes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Gallup. <em>State of the Global Workplace 2026<\/em> \u2014 engajamento global em 20% (menor n\u00edvel desde 2020; primeira queda em dois anos consecutivos); engajamento dos gestores de 31% (2022) para 22% (2025); custo estimado de US$ 10 trilh\u00f5es\/ano (~9% do PIB global); 79% de gestores engajados nas organiza\u00e7\u00f5es de melhores pr\u00e1ticas.<\/li>\n\n\n\n<li>GROVE, Andrew S. <em>Only the Paranoid Survive.<\/em> Nova York: Doubleday, 1996 \u2014 o conceito de &#8220;ponto de inflex\u00e3o estrat\u00e9gico&#8221; e a sa\u00edda da Intel do neg\u00f3cio de mem\u00f3ria rumo aos microprocessadores.<\/li>\n\n\n\n<li>CPI das Mil\u00edcias \u2014 Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, 2008; dados sobre a expans\u00e3o territorial de mil\u00edcias e fac\u00e7\u00f5es no estado (2008\u20132024).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem o conforto que anestesia. 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